A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

29.11.05

Animais de estimação!...






  Conhecem o meu Bobby? É um cão moderno, gosta de andar na moda e desde que viu a Romana na TV no "Big Brother dos famosos" não parou de latir enquanto não lhe pusesse todos aqueles "piercings". Não perdeu um único episódio... aquilo é que era paixão! Ainda bem que ela saiu pouco tempo depois senão teria que colocar mais alguns, nuns sítios que nem sei se vos conte se vos diga.

  Só tem um mau vício... fuma!!! E eu que estou farto de o avisar dos riscos que corre mas ele não quer saber. Até mandou-me comprar aquelas carteiritas para esconder o slogan «O tabaco mata»! Enfim... manias de cão!

  E nem imaginam o quanto é traumatizado!!! Fã nº 1 da Romana, quando dizem que ela casa/descasa o pobre bicho fica passado da cabeça! Pensa sempre que chegou a vez dele. Já não tem cura.

  Se o levar ao psicólogo canino tenho a impressão que quando o Bobby sair de lá, o psicólogo tem argolas em tudo que é sítio!

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  Nada tenho contra o facto de as pessoas terem animais de estimação. É salutar quando existem crianças ou para fazerem companhia a pessoas solitárias. Sou é contra o facto de fazerem dele mais um elemento de família tratando o animal, que foi concebido para estar no chão, como um ser humano, andar com ele ao colo e pior disso tudo é “beijar” esse animal como se de um filho tratasse. É aberrante, é contranatura, e já não basta as passagens de moda com canídeos a tentarem retirar de cima das costas algo que não faz parte da sua condição de animal e os puxões na coleira que o dono(a) faz para que ele se porte bem na “passarelle” para satisfazer o ego de quem faz de um animal o poço das suas vaidades, para ainda ver-mos os cãezinhos tratados que nem um ser humano.

  As doenças transmitidas pelos animais podem trazer graves problemas à saúde do Homem, como a Toxocarose, que são parasitas intestinais (como as lombrigas no homem), e pode provocar problemas respiratórios, aumento do fígado e alterações oculares que podem levar, em casos extremos, à cegueira, a Toxoplasmose, que pode provocar nas mulheres grávidas abortos e malformações no feto, a Equinococose-hidatidose que provoca quistos e pode ser fatal, a Dermatofitose a famosa “tinha” que tantos problemas cutâneos provoca, etc..

  O facto de escrever sobre esta matéria é porque vi umas imagens de uma criança com a Equinococose, doença que pode ser transmissível pela saliva do cão, que me fizeram reflectir pelo facto de as pessoas fazerem de um animal, que faz a sua limpeza corporal com a língua entre ela a limpeza da zona anal que contém ovos microscópicos das fezes, um ser humano e que numa simples lambidela ou num beijo pode o Homem provocar a sua própria morte.

  Se quando os nossos filhos são pequenos não gostamos que sejam o centro beijoqueiro de toda a gente que o tenta fazer, e não vale a pena escamotear essa nossa faceta, porque não tratar os animais com amizade, com carinho mas nunca esquecendo que ele não passa afinal de um animal e quando for dar um beijo no seu cão… pense duas vezes!


22.11.05

A Escolha!...





  Sendo um autodidacta, sempre que tento fazer algo de novo, que não esteja dentro dos meus conhecimentos, lá vou eu pesquisar aqui e ali e, pouco a pouco, vou dando corpo àquilo que pretendo. Mais uma vez assim aconteceu com o «Sons de Estrelas», nova rubrica que apresento do teu lado esquerdo do écran.

  Nessa procura fui dar com um site muito engraçado que me fez sorrir e ao mesmo tempo pensar como afinal é fácil aumentar as visitas ao nosso blog. É só fazer-se desgraçadinho.

1ª Dica:

  1) Seja depressivo. Veja sempre o lado ruim das coisas. Sempre que possível, deixe bem claro o quão solitário é... mostre ao mundo quanto toda essa mediocridade a sua volta o deprime. Uma boa dica para o blogueiro deprimido é passar alguns períodos sem colocar nenhuma mensagem... isso gera certa apreensão mórbida no seu público leitor.

  Os meus temas por vezes têm este lado da solidão, não para aumentar as visitas mas sim como estados de alma pois os mesmos já foram escritos há muito tempo num outro local. Agora, perante esta dica, vou ser useiro e vezeiro neste aspecto, quase até ao limite e, assim, não faltarão as palavras de consolo, uma preocupação permanente pelo meu estado de saúde e “voilá” o meu blog terá mais comentários do que possa imaginar pois toda a gente gosta de consolar e ser consolado. Isto é como nas doenças, se digo que me dói um joelho logo alguém dirá que para além do joelho também lhe dói o tornozelo e a omoplata. Não há povo mais doente que o nosso, cada um de nós está sempre bem pior que o outro, somos um país depressivo.

2ª Dica:

  2) Seja neurótico. Ser neurótico é chique. Pessoas não neuróticas tendem a ser obesas, lentas e passivas. Já os neuróticos reagem com maior intensidade às adversidades. Mesmo que não sejam exactamente adversidades. Para mostrar-se um blogueiro neurótico fervoroso, deixe bem claro o quanto as pequenas coisas o irritam. O trânsito… os funcionários públicos… os empregados do Mac Donalds...

  Aqui é que a porca torce o rabo para mim. É que não tenho muito feitio para criticar seja quem for mas sabe-se lá com um pequeno esforço sou capaz de lá ir e, sendo assim em vez de 8900 visitas (2000 são minhas que sou narcisista) e de meia dúzia de comentários passarei a ter 6900 comentários (não se esqueçam que 2000 visitas são minhas e eu não vou comentar o que faço, não é? Ou talvez o faça… se sou neurótico!). Até vou chorar ao sentir o prazer que as pessoas têm em comentar a minha neurose.

3ª Dica:

  3) Seja crítico. Sim... critique tudo! Desde o processo de globalização até a peça de teatro infantil da filha da enteada da sua vizinha. Para poder posicionar-se perfeitamente como um blogueiro crítico de primeira é importante saber que existem dois tipos básicos... os que criam... e os que criticam. Caso você não se encaixe no primeiro caso. Não vacile. Caia de cabeça no segundo.

  Se cair de cabeça é contra quem mal nos governa, pois já Júlio César dizia que havia um povo na Hispânia que não governa nem se deixa governar, ou seja é um país à deriva, tipo «Jangada de Pedra» de Saramago. (e esta crítica, hem!... )

4ª Dica:

  4) Seja sensível. Não adianta ser um intelectual sem coração. Mostre que você tem sentimentos. Você é um ser humano... você pensa... e justamente por pensar... você chora. Chora pelos corais do Pacífico. Chora pelo o que a sociedade tornou o Castelo Branco. Chora pelo amor não correspondido à vizinha do terceiro esquerdo. Chore apenas por coisas irreparáveis, caso contrário sua sensibilidade terá sido em vão.

  Gostei desta dica. Toda a gente chora e porque não eu? Se algum tema me deixar com a lágrima no canto do olho direi que gastei um rolo de papel higiénico para limpar as lágrimas que corriam em caudal pelas minhas faces. Logo não faltarão as palavras de consolo e assim os meus comentários subirão em flecha tal como um dia subirão os aviões no Aeroporto da Ota. Um país pobre com barriga de rico, somos o riso da Europa.

 Depois de ler tudo o que escrevi, verifico que infelizmente não tenho feitio para escrever aquilo que não sinto. Tenho que me render à evidência e ficarei satisfeito em saber que aquilo que escrevo tem pelo menos um leitor… tu. Obrigado!


P.S. Dicas brasileiras adaptadas por mim à realidade portuguesa.


10.11.05

O Lírico Cantor!...






  Um dia destes, à noite, fui para a varanda e deu-me uma vontade enorme de cantar uma ária. Como não sabia nenhuma resolvi cantar o «Ser benfiquista.». Afinei a voz e como um Carusso, para os mais antigos, ou como Carreras, para os actuais, soltei-a e, como um verdadeiro barítono, comecei a gritar:

Ser Benfiquista
é ter na alma a chama imensa…


  Ao ouvir a minha voz a cantar com tamanha emoção o hino do meu clube, até os pelos do peito se me eriçaram. Os copos de cristal, a cada trinado, tilintavam, mas de certo é cristal falso porque se fosse verdadeiro partiriam tal a força e a pujança do meu “vibrato”. Um gato miava um cão uivava, de certo confundidos, pois devem ter ficado na dúvida se aquilo que ouviam eram miados ou latidos. Mas eu não liguei e continuei a cantar em plenos pulmões.

  O meu vizinho veio à janela ver o que se passava, se, por acaso, tinha sido alguém atropelado mas, quando me viu de tronco nu, com os pelos eriçados, deu-me um sorriso amarelo mas o que se podia esperar de um verde… não compreendem o valor artístico da voz de um benfiquista.

  Ao longe um frango espirrou, espirra praí ó galináceo!!!!... Agora é que o Ricardo está bem, não pode levar frangos para o campo. Mas não é necessário, o fiscal mal o vê esfrega o olho por causa da gripe e assim o Ricardo senta-se dentro da capoeira e não há bola que entre mesmo com ela lá dentro.

  Por baixo da minha varanda a vizinhança juntou-se, só ouvia uns zunzuns, deveriam ser elogios mas eu, com a modéstia que me tarimba, não lhes passei "cartão". São assim os grandes artistas.

  Uma carrinha de hortaliça parou nas imediações. Logo o pessoal se deslocou a ela em grande correria, e eu, inchado que nem um peru, cantava a minha última estrofe:

… que nos campos a vibrar
são papoilas saltitanteeeeeeeees.


  Antes que as palmas e os pedidos de bis se fizessem ouvir, fechei a porta e retirei-me para os meus aposentos. Os meus olhos lacrimejavam tal o orgulho que sentia de mim. Dormi em paz e, no dia seguinte, vi o quanto a vizinhança tinha gostado. A minha varanda estava pintada de vermelho dos tomates, a fruta e as alfaces espalhavam-se,... durante uma semana não necessito de ir às compras.

  Agora vou começar a treinar mas desta vez uma ária a sério, talvez a «March Of the Toreadores», assim, quando me mandarem alguma coisa, eu, como um verdadeiro toureiro, só direi… «OLÉ»!


2.11.05

Sou Citadino!...





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 Será que o facto de se ser citadino é mau? Será que ao compararmos a vida da cidade e a da aldeia perdida no monte é como se uns vivessem, os da aldeia, no paraíso e os outros, os citadinos, no inferno? O trânsito caótico, o stress do dia-a-dia, a televisão, o computador, pode-se comparar à vida sem horas, o levantar ao nascer do sol e o deitar quando ele se põe, sem barulhos a não ser o chilrear da passarada, do mugidos dos bovinos, o balido das ovelhas pela encosta, e o silêncio da noite cortado aqui e ali com o piar de uma coruja?

 Será que o viver numa cidade onde as pessoas mal se conhecem, compara-se ao bom dia que todos os dias na aldeia dão uns aos outros e onde cada um sabe a vida toda do(a) vizinho(a) do lado?

 Será que é esse lado que faz com que todos os dias nos debrucemos sobre o teclado para colocar uma mensagem, um comentário, trocar um mail com pessoas que nunca as vimos e nem sabemos quem elas são e como são e, muitas vezes, escrevem aqui aquilo que sabem que as pessoas gostam de ler e não o que tem a haver com o que ela é no seu dia-a-dia, criando uma imagem ilusória de si nos outros?

 Sou citadino, gosto da cidade. Gosto do bulício, das expressões diárias, de me sentar ou passar no Martinho da Arcada, na Brasileira e saber que ali esteve Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro. Sou citadino, porque nasci e vivi sempre em cidades. Os eléctricos, os “machimbombos”, o metro, foram uma constante na minha vida.

 Se assim é, serei “Pobre”? Então vamos ler este texto e perguntar se porventura a pessoa que o escreveu e canta loas à vida da aldeia se lá vivesse e não tivesse um computador como é que faria chegar esta mensagem até nós? Talvez com sinais de fumo…

Ser Pobre

 Um pai, bem de vida, querendo que seu filho soubesse o que é ser pobre, o levou para passar uns dias com uma família de camponeses.

O menino passou 3 dias e 3 noites vivendo no campo.

No carro, voltando para a cidade, o pai perguntou:

-Como foi sua experiência?

-Boa, responde o filho, com o olhar perdido à distância.

-E o que você aprendeu? Insistiu o pai.

O filho respondeu:

-Que nós temos um cachorro e eles tem quatro

-Que nós temos uma piscina com água tratada, que chega até a metade do nosso quintal. Eles tem um rio sem fim, de água cristalina, onde tem peixinhos e outras belezas.

-Que nós importamos lustres do Oriente para iluminar nosso jardim, enquanto eles tem as estrelas e a lua para iluminá-los.

-Nosso quintal chega até o muro. O deles chega até o horizonte.

-Nós compramos nossa comida, eles cozinham.

-Nós ouvimos CD?s... Eles ouvem uma perpétua sinfonia de pássaros, periquitos, sapos, grilos e outros animaizinhos...tudo isso às vezes acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho que trabalha sua terra.

-Nós usamos microondas. Tudo o que eles comem tem o glorioso sabor do fogão à lenha.

-Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes...Ele vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos.

-Nós vivemos conectados ao celular, ao computador, à televisão. Eles estão "conectados" à vida, ao céu, ao sol, à água, ao verde do campo, aos animais, às suas sombras, à sua família.

O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho terminou:

- Obrigado, pai, por ter me ensinado o quanto somos pobres!


 Todos os locais têm a sua beleza e não é por se ser da aldeia ou da cidade que se é mais “rico” que o outro, essa é a minha opinião mas,... eu sou citadino!…