A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

2.6.05

A criança em mim...

 O velho hospital está em “pantanas”. Electricistas procuram esconder os fios que irão servir de suporte aos vários holofotes que iluminarão o cenário.

 A empregadita limpa mais uma vez o chão para que esteja a brilhar na altura das filmagens.

 Ouvem-se as vozes dos responsáveis para que tudo fique em conformidade com as indicações do realizador. As câmaras são colocados em pontos estratégicos.

 Verificam-se os carris por onde as máquinas deslizarão para as tomadas da cena. Uma madre saltitante, faz um virote no saiote chamando a atenção de todos pela sua desenvoltura.

 A um canto, vê-se uma mesa com vários acepipes preparados pela zezinha, cozinheira de serviço , onde se encontrava já sentado um dos actores principais.

 Num palco montado para o efeito, uma espanhola dá uns requebros de salero.

 Um aracnídeo vai descendo pela sua teia - por enquanto escapou ao olhar arguto da empregadita

 Vários figurantes deambulam ao acaso, até que se ouve a voz do realizador:



                                          - Todos aos seus lugares.









 A câmara aproxima-se da figura esguia, na cabeça, um chapéu de coco.

        


  - Olá, alguém viu o meu amigo Bucha? Se por acaso o virem, digam que estou à espera dele há já algum tempo!!! - diz o Estica exasperado.




  O chefe de cozinha, jchati agradece a ajuda da nova cozinheira, palanys que chega na altura exacta para ajudar a preparar o enorme peixe que o Bucha tinha trazido pela manhã.

  Siduxa, secretária do realizador, vem apressada, tentando naquele emaranhado de fios e máquinas encontrar o seu chefe.

  O popiun ao vê-la, vem em alvoroço dizer-lhe: - Em cena quem é de cena, fora de cena quem não é da cena. e acontece o inevitável, siduxa tropeça num dos fios e só se vêm bobines pelo ar, instala-se a confusão e o Estica sem saber como, encontra-se no chão estatelado.

 - Mas o que é isto? Algum tremor de terra?

 - Não – diz a siduxa –



 A criança entra no cinema. Senta-se num qualquer lugar num banco de madeira corrido. Por todo o lado ouve-se a algazarra de outras crianças que, como ele, esperam ansiosamente o início do filme, parecem bandos de pardais à solta. 15 tostões foi quanto lhe custou o bilhete e como foi tão difícil arranjá-los. Pede aqui, pede ali e ali está ele. Ouve-se o som característico do início da sessão. Lentamente vão-se apagando as luzes, abrem-se as cortinas e, no écran, aparecem as primeiras imagens do filme…


O Bucha e o Estica




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