A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

20.8.08

Vô, vem!



 Todos nós aprendemos um pouco uns com os outros. Lembramo-nos das histórias de encantar, de lendas, de histórias de uma vida, contadas pelos nossos avós, pelos nossos pais.

 Hoje somos pais, somos avós, o que é que ensinamos aos nossos filhos? O que contaremos aos nossos netos?

 As histórias de encantar já perderam o seu encanto, as lendas já não entram nas conversas, as histórias da vida já não interessa pois os filhos nada sabem, ou não querem saber das histórias da vida dos seus pais.

 Muito do que escrevo tem muito do que me foi contado, do que foi sentido, do que foi vivido.

 Um dia partiremos e quando os filhos forem ver o espólio escrito deixado, ficarão admirados de lerem tanta coisa que lhes tinha passado ao lado e dirão: «Afinal o meu pai, ou a minha mãe, até escreviam umas coisas». E os nossos netos? O que de nós dirão?!...

 A sua pequena mão apertava a minha: «Vô, vem!» e puxava-me para o mar! E ria-se e pulava! As ondas iam e vinham e ele sempre a puxar-me: «Vô, vem!»

 E eu ficava a olhar aquela cabeça loirita como eu já tive quando pequeno. Os seus olhos azuis sorriam. Fazia pequenos montes de areia e ele dava logo um pontapé naquilo. Queria era a água, enchia-lhe o balde metia as mãos e molhava os braços e o corpo como me vira fazer!

 O mar que tanto eu vi em pequeno, agora levo o pequeno a ver o mar!

 O mar estava bravio, o vento soprava forte, mas ele sem receio só dizia:

 «Vô, vem!»

 Vou sim, meu neto!