A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

18.12.09

Boas Festas!


Para os amigos e visitantes deste e dos outros meus blogues,
Boas Festas e Feliz Ano 2010!

12.10.09

Andorinha Preta



Uma das músicas por mim trauteadas desde miúdo era: «Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola»... Sabia que era cantada por Nat King Cole e por um conjunto brasileiro mas não sabia qual.

Um dia destes veio-me de novo à lembrança esta música e de novo lá estava eu com a andorinha que me fugiu da gaiola. Então não descansei enquanto não conseguisse essa música e qual o conjunto brasileiro que o acompanhava.

Pois bem, quem porfia sempre alcança e lá consegui tanto a música como a letra e o que o conjunto era um Trio, o Trio Irakitan.

Nat tudo fez para cantar a «Andorinha Preta» em português com a pronúncia correcta mas como não o conseguiu, o Trio cantava a andorinha em português e o Nat em versão inglesa.

Nat King Cole fumava três maços de cigarro por dia. Pensava ele que era o cigarro que lhe dava aquela voz aveludada. Morre aos 46 anos com cancro, mas enquanto houver andorinhas haverá a voz imortal de Nat cantando:

Fly my Brazilian love bird
Fly to the one I love
Please won't you tell her that I'm the one who cares
Please bring to me her answer


Agora eu:

Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola
Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola...


8.9.09

Vida depois da morte



«Quando nem mesmo a vida se compreende, como poderia entender-se a morte?»

Confúcio


No Velho Testamento há duas referências que se referem inequivocamente à vida depois da morte:

«Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão. Despertai e exultai, os que habitais no pó [...] e a terra lançará de si os mortos.» (Isaías; 26, 19.)

«E muitos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eternos.» (Daniel; 12, 2.)


Os relatos dos que estiveram na antemorte, referem o encontro com uma luz muito brilhante. Sem forma física, simplesmente uma luz muito brilhante. Os cristãos, por crença, identificaram a luz com Cristo «Eu sou a Luz do mundo».
Um homem e uma mulher judia identificaram a luz como um «anjo».
Um homem que não tinha qualquer crença ou educação religiosa referiu simplesmente como um «ser de luz».


Se a morte é apenas um sono sem sonhos, deve ser igualmente maravilhoso. Se dissermos a alguém que pense numa noite em que tenha dormido tão profundamente que não tenha tido sequer um sonho, que a compare com todas as outras noites da sua existência e que, depois de ter reflectido, diga quantos dias e noites passou melhor que aquela noite, acho que... (qualquer pessoa) contaria facilmente esses dias. Se a morte é assim, chama-lhe um bem, já que, se a encararmos como acabei de expor e devido à unidade do tempo, só poderemos considerá-la como uma única noite. (Platão – A Apologia)

Podemos considerar este pensamento como uma analogia eufemística ou seja compara a morte e o sono. Morrer é como adormecer.

Estamos perante duas respostas diferentes perante a natureza da morte. Uns dizem que a morte é a passagem da alma – mente, psique, eu, ser, consciência, espírito – para outra dimensão do real; outros defendem que a morte é a aniquilação da consciência.

Todos os que passaram por esta experiência, nunca se referiram ao Céu ou ao Inferno. Mencionaram o ser de luz, onde a entidade referenciada está de acordo com a formação religiosa de cada um.


Seis tipos de religião, seus profetas ou mentores e os seus livros sagrados:

Judaísmo ------- Abraão ---------- Tora
Cristianismo --- Jesus Cristo --- Bíblia
Islamismo ------- Maomé ---------- Alcorão
Budismo--------- Buda ------------- Cânones de Pali e de Sanskrit
Tauismo---------- Lao-Tse -------- Livro de Lei E Universo e sua Virtude
Lamaísmo ------ Dalai-Lama ----- Sadhana (não é um livro, é meditação)

Obra Consultada: Vida Depois da Vida - Raymond A. Moody JR.

28.7.09

O Emigrante




Os emigrantes portugueses espalharam-se pelos quatro cantos do mundo. De uma pátria que lhes foi madrasta, partiram a salto para outras paragens, com o único objectivo de conseguirem uma vida melhor para os seus. Uma mala de cartão com os seus pertences era o bastante porque mais não tinham.

Esta história não tem nada de pejorativa contra o emigrante, pois eu também demandei pela mão de meu pai para outras paragens, mas sim pela forma como nós, num país tão pequeno, temos vários “falares” que fazem com que, de vez em quando, aconteçam situações engraçadas.

É uma história onde se “troca” os "Vês" pelos "Bês" e o "Ão" pelo "Om".

Sou nortenho e quando puto vi-me em papos de aranha para conseguir soletrar o "Vê" em terras de Angola e claro que durante uns tempos era mais conhecido pelo "Binho Berde" o que ainda deu algumas lutazinhas porque me sentia ferido no amor próprio de nortenho de gema.

Mas esta história tem a haver com os emigrantes de uma zona nortenha que em França eram conhecidos por "Abeques".

Como se sabe em Francês "avec" quer dizer com.

Só que nessa zona além de trocarem os "Vês" pelos "Bês" também trocam o ão pelo "om", ou seja em vez de cão dizem "com" num linguarejar característico.

Ao chegarem a França e de tanto ouvirem o avec perguntaram o que isso significava e logo lhes disseram que era o mesmo que "com". "Com" era o amigo de quatro patas e daí, quando chegaram à terra, era vê-los a chamarem o cão de:

«Abec, bem cá ao dono»

Esta história é real e quem aqui isto ler e for da zona sabe que é assim!

O Mês de Agosto é o mês que, por excelência, o nosso emigrante volta à sua terra para matar saudades. Não faltarão festas e romarias por esse País fora.

Boa viagem e boa estadia!

6.5.09

O Escritor...



  Por vezes pensamos que nascemos em épocas erradas. Hoje os sexos estão pouco diferenciados. As mulheres ocupam muitos empregos que eram “só” para homens. Fumam, bebem e dizem asneiras como qualquer arruaceiro. Não sei se é uma forma de ser ou de estar mas não me parece ser o melhor caminho para uma mulher que se quer com “glamour”, elegância, um toque de feminilidade e não de cuspir para o chão como se vê actualmente.

  Quando era pequeno tinha uma visão diferente do mundo das mulheres. Vivia na ilusão que elas eram diferentes de nós em muitos aspectos até no ir à casa de banho. Então lia muito sobre a época em que havia uma subtileza no comportamento da mulher, no andar, na sombrinha, no cavalheirismo de um Eça, no encanto da mãozinha dada do casal a percorrer os jardins. Então imaginava e...

  Há muitos anos atrás, quando pensava que viria ser escritor, o início do meu romance começava assim:

  «Mademoiselle Butterfly (influências da ópera de Puccini), sentiu o olhar do jovem na semi-obscuridade da Igreja. Reparara nele quando entrara. Um ligeiro rubor aflorou-lhe a face quando se apercebeu que a sua presença também não passara despercebida. Enquanto a missa decorria, os seus pensamentos vagueavam pela abóbada da Igreja, o seu peito arfava tendo que disfarçar a sua ansiedade com vários movimentos de leque. Fim da missa. Ouve-se o restolhar daquelas saias em forma de sino dirigindo-se para a saída.

  Sem se voltar, sente que ele está atrás dela. Abre a sombrinha para impedir que o sol lhe atinja o alvo rosto. “Distraidamente” deixa cair o lencinho que ele apressa-se a recolher e, dirigindo-se-lhe com uma pequena vénia, entrega-o fazendo questão de a acompanhar pelo jardim, onde outros casais deambulam aproveitando o dia magnífico que a Natureza lhes tinha oferecido.


  Aqui parei. Não que me faltasse imaginação para continuar mas, porque razão teria de ser sempre um lencinho a cair e não um chapéu ou até a sombrinha?

  Estava na “Belle Époque”, e os contos sobre essa época começavam sempre pelo lencinho e não por outra peça de vestuário caindo. Os “coulottes” seriam difíceis pois com os espartilhos que usavam e pela cinturinha de vespa nunca essa peça cairia o que, caso acontecesse, seria um começo desagradável e algo vergonhoso, para um livro sobre uma época de ouro que fez de Paris, a Cidade Luz, o centro cultural da Europa.

  E assim desfez-se um sonho, o sonho de ter sido escritor e tudo porque nunca consegui livrar-me da queda do lencinho.

  Não me livrei da queda nem do facto de pensar que nasci na época errada e, de vez em quando, transporto-me para os jardins dos Jerónimos, ali me vejo pegando o lencinho que uma "jeune", de saias e frou-frous, deixou cair. Um eterno romântico.

27.1.09

Fernando Peixoto




  Não o conhecia. Fernando Peixoto comentou num tema meu sobre os «Gorilas do Maiombe», designação do Batalhão de Caçadores sediado em Cabinda. Ele também estivera lá. Em conversa por mail verificamos que ambos, embora em anos diferentes, tínhamos calcorreado os mesmos locais. Tal como eu, esteve em Tando Zinze, onde tínhamos o aquartelamento. Andara na mesma floresta cerrada que é o Maiombe. Sentira os mesmos cheiros, os mesmos sons, os mesmos batuques. Quem sabe se também “amara” nas mesmas esteiras. Viu o mesmo céu estrelado através das clareiras daquelas copas de árvores enormes, o seu luar rompendo o ventre da folhagem, iluminando tenuemente a “picada” onde nós, soldados, aguardávamos ansiosos que novo dia despontasse, que a cor e o som voltasse àquela floresta, que o torpor da noite passado ao relento desaparecesse, que a cacimba que nos tolheu, que nos enregelou mesmo com os impermeáveis, desse lugar aos raios de sol que, embora a medo, se infiltrava naquelas ramagens quase impenetráveis.

  Trocámos nº de telemóveis e, depois de algumas conversas, disse-me que voltara a estudar. Fiquei surpreendido por esse facto pois raramente se volta a estudar já com uma vida formada. Mas Fernando Peixoto fizera-o. Sabia-o ligado a um grupo teatral e Poeta pois enviara-me os seus blogues Todo Mundo É Um Palco e Arca de Ternura, através deles conheci-o mais um pouco.

  Ficámos de nos encontrar em Setembro de 2008 em Belém onde, entre dois pastéis, iríamos reviver a nossa passagem pelos «Gorilas». Era sobre isso que ele gostaria de falar. Dos momentos passados entre companheiros da mesma luta, abominava tanto a guerra quanto eu, do companheirismo, da entreajuda, falar daqueles cheiros da terra vermelha, do marufo (bebida destilada da seiva da palmeira), da "Casa das tintas", dos alambamentos e outras recordações daquele “Mar Vegetal” de seu nome Maiombe.

  Quando falei com ele, disse-me que não podia vir porque estava adoentado. Nunca imaginei o que poderia ser pois quando de novo voltei a conversar nada mais adiantou. Foi a última vez que o ouvi. A novas chamadas não me respondia.

  Há pouco tempo li um comentário de sua filha, Helena Peixoto, no meu blog «Sons no Silêncio»:

Carissimo Mário,

  Conheci o seu blog através de alguém que muito o admirava, o meu pai, Fernando Peixoto, que nos deixou faz alguns meses...


  Nunca mais o iria conhecer em vida o Homem que andou nas mesmas paragens longínquas que eu. É só uma conversa adiada. Um dia destes iremos conversar sobre aqueles cristalinos regatos, daquelas mulheres cor de ébano, das esteiras, das danças à volta da fogueira...

  No dia 31 de Janeiro haverá uma homenagem em V. N. de Gaia a este Poeta e Homem de Teatro. Eu não estarei lá mas estará lá o meu abraço.