A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

12.11.10

Anos Dourados

Anos 60 e 70. Foram marcos na vida de uma geração. Milhares de mancebos eram recrutados para a Guerra no Ultramar. Muitos ali pereceram e muitos, depois da Guerra, em África ficaram. Era o tempo da camisa cintada e da calça à boca-de-sino.

Os Conjuntos Musicais em Portugal proliferaram devido ao boom vindo da Inglaterra com os Beatles. “Os Conchas”, “Os Ekos”, "Os Titãs", Conjunto "Académico João Paulo", Victor Gomes e os Gatos Negros, o Conjunto 1111 e tantos outros, punham uma juventude a dançar. Estávamos na época do Rock-and-Roll, do Twist, e da “Namoradinha que eu Sonhei”.

No Brasil Roberto Carlos era o Rei. A “Jovem Guarda” trouxe novos valores à canção brasileira; Antonio Marcos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Os Incriveis, Rosemary, Wanderlea e muitos mais. E como esquecer o “Domingo à tarde” desse pequeno/grande cantor Nelson Ned?!

Ao som de muitas das músicas desse tempo se constituíram famílias. Nas farras lá iam as garotas com os paizinhos e ali se combinavam encontros, trocavam-se beijinhos e ao menor contacto lá estava o olhar furibundo do pai sempre atento às pequenas manobras corporais dos rapazes.

Foram belos tempos. As garagens e os quintais enchiam-se de música, e ali se dançava até altas horas da noite. As discotecas (boîtes) haviam mas não era a mesma coisa. A música francesa estava em força, Adamo, Joe Dassin, Richard Anthony, Demis Roussos fizeram as delícias dos casais apaixonados.

Da vizinha Espanha, foram as lágrimas deitadas por corações mais sensíveis com o António Prieto e a sua “La Novia”. De Itália vinha também o romantismo na voz do Gianni Morandi de quem tantos filmes vimos.

Dos EUA outros cantores, outros conjuntos, muitos sucessos e assim se fez uma época dourada. Hoje muitas dessas músicas perduram no nosso imaginário. Para que esse tempo não caia no esquecimento fiz uma recolha de músicas que nos embalou os sonhos. Não é, nem foi essa a minha intenção, uma recolha exaustiva de tudo desses anos, mas pequenas pinceladas de sons que ainda nos faz saltar o coração quando as ouvimos.

Para todos aqui ficam os Anos Dourados. Músicas dos Anos 60/70. Ouçam com o mesmo prazer com que as pesquisei e mesmo que uma lágrima furtiva vos corra pela face não há mal nenhum, é sinal que vivemos um tempo que a geração de agora nunca saberá como foi lindo pois, eles, infelizmente, não têm as mesmas referências musicais que nós tivémos.


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