A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

20.1.11

Anos 70 e 80 - Décadas Perdidas

Depois dos sucessos dos anos 60, houve o período revolucionário, onde surge a Canção de Intervenção e os seus “cantautores” que cantavam não só letras dos próprios como de grandes poetas; José Carlos Ary dos Santos, Manuel Alegre, Sophia de Melo Breyner, Fernando Assis Pacheco entre outros.

No entanto o mundo não parava e, assim, depois do período revolucionário, entra-se numa outra década de grande espírito criativo, os Anos 80. Esta década foi fértil em novas aventuras, séries de grande qualidade e músicas que ainda hoje permanecem no imaginário de muitos de nós.

No vestuário, lembro-me das grandes ombreiras (hoje rio-me disso mas na época era assim), os cabelos coloridos, muitos berloques nos braços e cores extravagantes, lacinho de tule no cabelo. Os homens lá tinham o seu sapatinho de bico fino, pontapé em bola era furo de certeza. Os “All Star” estavam na moda e calças com listinhas era muito prá "frentex".

No cinema como esquecer o «E.T.» de Steven Spielberg. Um extaterrestre com a cabeça que parecia uma batata mirrada, foi um dos maiores sucessos da história do cinema. Na televisão surgia MacGyver, um super-engenhocas, «Verão Azul» (série espanhola),


«Duarte e Companhia», a «Rua Sésamo» e o «Sítio do Pica-Pau Amarelo» (Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia, Tio Barnabé, Cuca, Saci) que fizeram as delícias da garotada, Alf, Herman no «O Tal Canal» ("Com rebuçados Vilaça, a tosse logo passa!"), «Modelo e Detective», «Miami Vice»...

Séries que não perdia, quando não podia ver em directo deixava a gravar, eram «Shogun» com Richard Chamberlain no papel de um piloto de um navio inglês (Major John Blackthorne) e a série «Norte e Sul» que contava a história de dois amigos, um do Norte e outro do Sul, que tentam manter a sua amizade apesar da guerra civil, George Hazard era interpretado por James Read e Orry Man, por Patrick Sawayze. Que maravilha de séries.

Ah, e havia o «Dallas» com o "terrível" J.R. (Larry Hagman) a fazer das suas, Bobby (Patrick Duffy), Pamela (Victoria Principal) e mais nomes de gabarito. Tanto os guionistas esticaram a corda que depois foi um fim imerecido para uma série que nunca mais acabava.


Surge em força o «Cubo de Rubik», que fez a cabeça à roda de tanto pessoal que até chegava ao ponto de tirar as peças para colocar no sítio certo pois não conseguia resolver o problema de outra forma. E como se não bastasse, até em porta-chaves lá vinha o famoso cubo só pra chatear.


Na música, depois das Baladas e Trovas do Vento que Passa, o país entrou na "normalidade" (hoje até parece que não houve Abril, o país está à deriva, fracassado e paupérrimo devido a quem Abril as portas abriu. Voltámos ao Futebol, Fátima e se não há Fado, há telenovelas de gosto duvidoso, a encherem horas de programação. O povo que em Abril de 74 agitou o cravo, hoje fica quieto na pasmaceira da vida, com os olhos vidrados na menina que só não casa com o cavalo porque isso ainda não é permitido), surge uma "loira" que juntamente com um negro que ficou sendo o negro mais branco da história, revitaliza a época com grandes êxitos. Madonna e Michael Jackson (o seu album Triller foi o mais vendido de todos os tempos). Os U2, Cindy Lauper, A-hA, Prince, Depeche Mode, Culture Club, Guns N' Roses, Def Leppard, Dire Straits, Supertramp, The Smiths, Duran Duran são outros que muito sucesso fizeram.

21.12.10

Boas Festas

Para os amigos e visitantes deste e dos outros meus blogues, Boas Festas e Feliz Ano 2011!

12.11.10

Anos Dourados

Anos 60 e 70, foram marcos na vida de uma geração. Milhares de mancebos eram recrutados para a Guerra no Ultramar. Muitos ali pereceram e muitos, depois da Guerra, em África ficaram. Era o tempo da camisa cintada e da calça à boca-de-sino.

Os Conjuntos Musicais em Portugal proliferaram devido ao boom vindo da Inglaterra com os Beatles: “Os Conchas”, “Os Ekos”, "Os Titãs", Conjunto "Académico João Paulo", Victor Gomes e os Gatos Negros, o Conjunto 1111 e tantos outros, punham uma juventude a dançar. Estávamos na época do Rock-and-Roll, do Twist, e da “Namoradinha que eu Sonhei”.

No Brasil Roberto Carlos era o Rei. A “Jovem Guarda” trouxe novos valores à canção brasileira; Antonio Marcos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Os Incriveis, Rosemary, Wanderlea e muitos mais. E como esquecer o “Domingo à tarde” desse pequeno/grande cantor Nelson Ned?!

Ao som de muitas das músicas desse tempo se constituíram famílias. Nas farras lá iam as garotas com os paizinhos e ali se combinavam encontros, trocavam-se beijinhos e ao menor contacto lá estava o olhar furibundo do pai sempre atento às pequenas manobras corporais dos rapazes.

Foram belos tempos. As garagens e os quintais enchiam-se de música, e ali se dançava até altas horas da noite. As discotecas (boîtes) haviam mas não era a mesma coisa. A música francesa estava em força, Adamo, Joe Dassin, Richard Anthony, Demis Roussos fizeram as delícias dos casais apaixonados.

Da vizinha Espanha, foram as lágrimas deitadas por corações mais sensíveis com o António Prieto e a sua “La Novia”. De Itália vinha também o romantismo na voz do Gianni Morandi de quem tantos filmes vimos.

Dos EUA outros cantores, outros conjuntos, muitos sucessos e assim se fez uma época dourada. Hoje muitas dessas músicas perduram no nosso imaginário. Para que esse tempo não caia no esquecimento fiz uma recolha de músicas que nos embalou os sonhos. Não é, nem foi essa a minha intenção, uma recolha exaustiva de tudo desses anos, mas pequenas pinceladas de sons que ainda nos faz saltar o coração quando as ouvimos.

Para todos aqui ficam os Anos Dourados. Músicas dos Anos 60/70. Ouçam com o mesmo prazer com que as pesquisei e mesmo que uma lágrima furtiva vos corra pela face não há mal nenhum, é sinal que vivemos um tempo que a geração de agora nunca saberá como foi lindo pois, eles, infelizmente, não têm as mesmas referências musicais que nós tivémos.


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29.5.10

Os Meus Desenhos

Sempre gostei de desenhar. Não tinha, nem tenho, muito jeito para o desenho imaginário, excepto quando fui desenhador na Empresa Edal – Estofos de Angola, onde tinha como função a criação de diversos tipos de mobiliário, uns a pedido do cliente, outros para nova gama de produtos a lançar no mercado pela Empresa. Saí-me sempre bem dessa função e tenho muito orgulho pelo que fiz nessa empresa que me ficou no coração.


Na escola tinha sempre que ver algo onde pudesse basear-me para desenhar. Na Escola João Crisóstomo tinha muitos bons desenhos no ciclo preparatório mas, como os mesmos ficavam guardados em armários, no fim do ano lectivo alunos abriram-nos e eram só folhas de desenho pelo ar. Aos meus nunca mais os vi.

Na Escola Industrial era mais desenho Metalo-Mecânica, e foram esses desenhos que me abriram a porta para a empresa referida. No entanto, durante anos lá fui desenhando o que os miúdos costumam desenhar; o «Patinhas», «Pato Donald», «Garra de Aço» (livro muito em voga na altura), o “Mandrake”, e tantos outros. Esses consegui-os trazer e fiz alguns quadros com eles para recordar os tempos em que, quando miúdo, ainda tinha tempo para o desenho. Hoje estão nas paredes da minha sala. São desenhos do tempo dos meus doces anos da inocência. Clicar nas imagens



9.5.10

Benfica Campeão 2009/2010

São 32 os campeonatos ganhos pelo SLB, mais que qualquer outra equipe portuguesa. O Benfica será sempre uma referência do futebol nacional pois foi, é e será sempre o Maior queiram ou não os que tudo fazem para denegrir as vitórias aquém e além fronteiras que o meu clube alcançou durante tantos anos. O Benfica é um colosso do futebol mundial.


Mais um Campeonato ganho e os vencidos em vez de deixarem festejar a nação benfiquista tudo fizeram para que isso não acontecesse. A violência gratuita de que foram sujeitos os benfiquistas em Braga e no Porto é própria de vândalos que não sabem estar na vida, que se quer de confraternização pois um jogo não é mais do que vinte e dois jogadores a darem pontapés numa bola. Mas há quem faça de um simples jogo a essência da sua existência. São os frustrados da vida. Eles existem em todas as equipas e não só nas outras. No Benfica também os há, infelizmente!

Este domingo foi o Benfica o Campeão, para o ano poderá sê-lo de novo ou não. Há que honrar os vencedores e vencidos. Mas a tribo do futebol terá sempre que se comportar como animais irracionais e voltarão as agressões seja quem for o campeão. Enquanto isso, o Governo aumenta o IVA, diminui o salário real, vão-nos ao bolso todos os dias mas isso que se lixe, o importante é o pontapé na bola. Pobre Nação que tais filhos tem.

O Benfica ganhou, é o Campeão!!! VIVA o BENFICA!!!



1.4.10

Um Whisky com história



Estávamos na década de oitenta. Depois de uma ida à Póvoa a camioneta estava pejada de gente, alguns emigrantes que se deslocavam a casa de familiares na capital para uma visita de saudade

Era já de noite. Muitos dormitavam enquanto eu olhava através da janela vendo as luzes da cidade. As minhas filhas de tenra idade, também dormiam.

Passava a camioneta na zona do Estádio de Alvalade onde, no palco montado no seu interior, atuava o cantor brasileiro Roberto Carlos (foi este cantor que inaugurou os espectáculos musicais neste estádio em junho de 1981), quando, por qualquer motivo, o motorista teve que fazer uma travagem mais brusca.

Algo rolou e bateu nos meus sapatos. Baixei-me e verifiquei que se tratava de uma garrafa de Whisky de 12 anos. Peguei nela e perguntei em voz alta se alguém tinha perdido alguma coisa. O silêncio foi a resposta. Coloquei a garrafa no local onde se costuma ter os jornais e revistas sempre aguardando que dessem falta dela e assim estaria à mão para a entregar.

Viagem terminada e ninguém reclamou. Ali ficou a minha promessa de que aquela garrafa só seria aberta quando um dos meus filhos casasse. Foi aberta este sábado, dia 27-03-2010, vinte e tal anos depois, no casamento da minha filha... E ainda estava uma verdadeira “pomada”.