A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

8.1.10

Kithares


Podia começar a escrever, neste novo ano, palavras de esperança numa busca incessante de bem querer toda a Humanidade, quando é essa mesma humanidade que faz com que não haja esperança num futuro, que se quer livre de guerras, de fome, de exploração.

Os jovens explorados de hoje serão os novos exploradores de amanhã e, no entanto, nos bancos de escola, escreviam que se fossem ricos davam aos pobres. Como dizia Sócrates (o filósofo) há 2.000 anos atrás:

"A nossa juventude adora o luxo, é mal educada, goza com a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando entra uma pessoa, respondem aos seus pais e são simplesmente maus. Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder, porque a nossa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível. O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os nossos filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não poderia estar mais longe. Esta juventude está estragada até o fundo do coração.

O pensamento continua actual (menos a ideia do fim do mundo, que acaba para quem a vida se esvai) e o curioso, é que os filhos que faziam a vida "negra" aos seus pais, irão, mais tarde, dizer dos seus filhos o mesmo que os seus pais diziam deles: «Esta juventude está insuportável». Esquecer o passado é fácil não é?

Ninguém dá nada a ninguém, excepto algumas pessoas que nasceram com esse dom de darem sem nada pedirem em troca. Mas é uma minoria que não consegue dar volta ao que volta não tem.

Por isso hoje apetece-me ouvir os sons que vêm de um ambiente que lembram um período lindo da história do mundo, a Grécia Antiga.

Com o Partenon (templo da dedicado à deusa grega Atenas) como pano de fundo, fechemos os olhos e ouçamos a música que nos enleva a alma.

Deixemos os pensamentos voarem pelas estrelas, pelo cosmos, pelo infinito e, por momentos, esqueçamos a nossa mesquinha boa vontade de todos os anos pois, amanhã, aquele filho da mãe vai pagar tudo o que de mal me tem feito, ai se vai!!!

O meu agradecimento à amiga Nicha pelo envio deste magnífico vídeo

18.12.09

Boas Festas!


Para os amigos e visitantes deste e dos outros meus blogues,
Boas Festas e Feliz Ano 2010!

12.10.09

Andorinha Preta



Uma das músicas por mim trauteadas desde miúdo era: «Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola»... Sabia que era cantada por Nat King Cole e por um conjunto brasileiro mas não sabia qual.

Um dia destes veio-me de novo à lembrança esta música e de novo lá estava eu com a andorinha que me fugiu da gaiola. Então não descansei enquanto não conseguisse essa música e qual o conjunto brasileiro que o acompanhava.

Pois bem, quem porfia sempre alcança e lá consegui tanto a música como a letra e o que o conjunto era um Trio, o Trio Irakitan.

Nat tudo fez para cantar a «Andorinha Preta» em português com a pronúncia correcta mas como não o conseguiu, o Trio cantava a andorinha em português e o Nat em versão inglesa.

Nat King Cole fumava três maços de cigarro por dia. Pensava ele que era o cigarro que lhe dava aquela voz aveludada. Morre aos 46 anos com cancro, mas enquanto houver andorinhas haverá a voz imortal de Nat cantando:

Fly my Brazilian love bird
Fly to the one I love
Please won't you tell her that I'm the one who cares
Please bring to me her answer


Agora eu:

Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola
Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola...


8.9.09

Vida depois da morte




«Quando nem mesmo a vida se compreende, como poderia entender-se a morte?»

Confúcio


No Velho Testamento há duas referências que se referem inequivocamente à vida depois da morte:

«Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão. Despertai e exultai, os que habitais no pó [...] e a terra lançará de si os mortos.» (Isaías; 26, 19.)

«E muitos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eternos.» (Daniel; 12, 2.)


Os relatos dos que estiveram na antemorte, referem o encontro com uma luz muito brilhante. Sem forma física, simplesmente uma luz muito brilhante. Os cristãos, por crença, identificaram a luz com Cristo «Eu sou a Luz do mundo».
Um homem e uma mulher judia identificaram a luz como um «anjo».
Um homem que não tinha qualquer crença ou educação religiosa referiu simplesmente como um «ser de luz».


Se a morte é apenas um sono sem sonhos, deve ser igualmente maravilhoso. Se dissermos a alguém que pense numa noite em que tenha dormido tão profundamente que não tenha tido sequer um sonho, que a compare com todas as outras noites da sua existência e que, depois de ter reflectido, diga quantos dias e noites passou melhor que aquela noite, acho que... (qualquer pessoa) contaria facilmente esses dias. Se a morte é assim, chama-lhe um bem, já que, se a encararmos como acabei de expor e devido à unidade do tempo, só poderemos considerá-la como uma única noite. (Platão – A Apologia)

Podemos considerar este pensamento como uma analogia eufemística ou seja compara a morte e o sono. Morrer é como adormecer.

Estamos perante duas respostas diferentes perante a natureza da morte. Uns dizem que a morte é a passagem da alma – mente, psique, eu, ser, consciência, espírito – para outra dimensão do real; outros defendem que a morte é a aniquilação da consciência.

Todos os que passaram por esta experiência, nunca se referiram ao Céu ou ao Inferno. Mencionaram o ser de luz, onde a entidade referenciada está de acordo com a formação religiosa de cada um.


Seis tipos de religião, seus profetas ou mentores e os seus livros sagrados:

Judaísmo ------- Abraão ---------- Tora
Cristianismo --- Jesus Cristo --- Bíblia
Islamismo ------- Maomé ---------- Alcorão
Budismo--------- Buda ------------- Cânones de Pali e de Sanskrit
Tauismo---------- Lao-Tse -------- Livro de Lei E Universo e sua Virtude
Lamaísmo ------ Dalai-Lama ----- Sadhana (não é um livro, é meditação)

Obra Consultada: Vida Depois da Vida - Raymond A. Moody JR.

28.7.09

O Emigrante





Os emigrantes portugueses espalharam-se pelos quatro cantos do mundo. De uma pátria que lhes foi madrasta, partiram a salto para outras paragens, com o único objectivo de conseguirem uma vida melhor para os seus. Uma mala de cartão com os seus pertences era o bastante porque mais não tinham.

Esta história não tem nada de pejorativa contra o emigrante, pois eu também demandei pela mão de meu pai para outras paragens, mas sim pela forma como nós, num país tão pequeno, temos vários “falares” que fazem com que, de vez em quando, aconteçam situações engraçadas.

É uma história onde se “troca” os "Vês" pelos "Bês" e o "Ão" pelo "Om".

Sou nortenho e quando puto vi-me em papos de aranha para conseguir soletrar o "Vê" em terras de Angola e claro que durante uns tempos era mais conhecido pelo "Binho Berde" o que ainda deu algumas lutazinhas porque me sentia ferido no amor próprio de nortenho de gema.

Mas esta história tem a haver com os emigrantes de uma zona nortenha que em França eram conhecidos por "Abeques".

Como se sabe em Francês "avec" quer dizer com.

Só que nessa zona além de trocarem os "Vês" pelos "Bês" também trocam o ão pelo "om", ou seja em vez de cão dizem "com" num linguarejar característico.

Ao chegarem a França e de tanto ouvirem o avec perguntaram o que isso significava e logo lhes disseram que era o mesmo que "com". "Com" era o amigo de quatro patas e daí, quando chegaram à terra, era vê-los a chamarem o cão de:

«Abec, bem cá ao dono»

Esta história é real e quem aqui isto ler e for da zona sabe que é assim!

O Mês de Agosto é o mês que, por excelência, o nosso emigrante volta à sua terra para matar saudades. Não faltarão festas e romarias por esse País fora.

Boa viagem e boa estadia!

6.5.09

O Escritor...

Há muitos anos, quando pensava que viria ser escritor, o início do meu romance começava assim:

«Mademoiselle Butterfly (influenciada pela ópera de Puccini), sentiu o olhar do jovem na penumbra da igreja. Já o tinha notado quando entrara. Um leve rubor coloriu-lhe as faces ao perceber que ele também se interessara por ela. Durante a missa, os seus pensamentos voavam pela nave da igreja, o seu peito palpitava e ela tentava disfarçar a sua ansiedade com vários acenos de leque. Fim da missa. Ouve-se o farfalhar das saias em forma de sino a caminho da saída.

Sem se virar, pressente que ele está atrás dela. Abre a sombrinha para proteger o rosto alvo do sol. “Sem querer” deixa cair o lenço que ele prontamente apanha e, aproximando-se dela com uma ligeira reverência, devolve-o oferecendo-se para a acompanhar pelo jardim, onde outros casais passeiam aproveitando o dia esplêndido que a natureza lhes tinha brindado.

Aqui parei. Não por falta de imaginação para continuar, mas porque me questionei: por que teria de ser sempre um lenço a cair e não um chapéu ou até a sombrinha?

Estava na “Belle Époque”, e os contos sobre essa época começavam sempre pelo lenço e não por outra peça de vestuário caindo. As “culottes” seriam impróprias, pois com os espartilhos que usavam e a cintura de vespa nunca essa peça cairia e, caso caísse, seria um início desagradável e algo embaraçoso, para um livro sobre uma época de ouro que fez de Paris, a Cidade Luz, o centro cultural da Europa.

E assim se desfez um sonho, o sonho de ter sido escritor e tudo porque nunca me livrei da queda do lenço.

Não me livrei da queda nem do facto de pensar que nasci na época errada e, de vez em quando, transporto-me para os jardins dos Jerónimos. Ali me vejo apanhando o lenço que uma “jeune”, de saias e frou-frous, deixou cair. Um eterno romântico.»