A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

1.4.10

Um Whisky com história



Estávamos na década de oitenta. Depois de uma ida à Póvoa a camioneta estava pejada de gente, alguns emigrantes que se deslocavam a casa de familiares na capital para uma visita de saudade

Era já de noite. Muitos dormitavam enquanto eu olhava através da janela vendo as luzes da cidade. As minhas filhas de tenra idade, também dormiam.

Passava a camioneta na zona do Estádio de Alvalade onde, no palco montado no seu interior, atuava o cantor brasileiro Roberto Carlos (foi este cantor que inaugurou os espectáculos musicais neste estádio em junho de 1981), quando, por qualquer motivo, o motorista teve que fazer uma travagem mais brusca.

Algo rolou e bateu nos meus sapatos. Baixei-me e verifiquei que se tratava de uma garrafa de Whisky de 12 anos. Peguei nela e perguntei em voz alta se alguém tinha perdido alguma coisa. O silêncio foi a resposta. Coloquei a garrafa no local onde se costuma ter os jornais e revistas sempre aguardando que dessem falta dela e assim estaria à mão para a entregar.

Viagem terminada e ninguém reclamou. Ali ficou a minha promessa de que aquela garrafa só seria aberta quando um dos meus filhos casasse. Foi aberta este sábado, dia 27-03-2010, vinte e tal anos depois, no casamento da minha filha... E ainda estava uma verdadeira “pomada”.

27.3.10

De Menina a Mulher




  Estavas no teu quarto sentada no chão, a separar as tuas coisas. Vi-te ali e recordei o dia em que nasceste. A primeira dos quatro. Tão pequenina, nascida antes do tempo, mas nada de cuidados, tiveste pressa em sair, nada mais!

  Olho para as fotos e ali estou eu a mudar-te as fraldas, a dar-te o biberão, a ver-te crescer!

  Lembro-me que, à socapa, pela porta entreaberta, te via desfolhar os meus livros que estavam na prateleira da cama.

  Lembro-me quando de mansinho de manhã bem cedo, te ia ver na sala e lá estavas tu com a TV ligada a ver os “bonecos”.

  Lembro-me quando te mostramos a tua irmã, e tu com uma malinha ao ombro, olhavas com um sorriso do tamanho do mundo (que ainda hoje tens) para a tua “maninha” mais nova.

  Lembro-me quando comprei o sistema para desligar a TV a determinada hora e tu durante uns tempos, fazias uma maroteira, ligavas os pinos e na hora de deitar, voltavas a colocá-los conforme eu os tinha deixado. Mas havia sempre um que não ficava como estava e durante uns tempos deixei-te pensar que te ias deitar a horas.

  Lembro-me quando comprei o “Spectrum” e ali passávamos horas a jogar com as plataformas, com os tiros às portas (de vez em quando lá ia um inocente), com as corridas e tu sempre a dar-lhe que até um dia lá se foi o “Spectrum”.

  Lembro-me do teu primeiro dia que foste para a escola primária e a foto que te tirei a abrires a porta de casa.

  Lembro-me quando, com a tua pasta de finalista na benção das fitas, com a tua capa preta sobre os ombros, ali na Cidade Universitária, todos nós te abraçamos orgulhosos por estares a um passo de acabares o teu curso.

  E os dias se transformaram em anos, de menina passaste a mulher, sempre junto a nós!

  Mas este dia teria que acontecer mais cedo ou mais tarde! Os pais desejam o melhor deste mundo para os seus filhos!...

Hoje é o dia do Teu Casamento... Que sejas feliz minha Filha

8.1.10

Kithares


Podia começar a escrever, neste novo ano, palavras de esperança numa busca incessante de bem querer toda a Humanidade, quando é essa mesma humanidade que faz com que não haja esperança num futuro, que se quer livre de guerras, de fome, de exploração.

Os jovens explorados de hoje serão os novos exploradores de amanhã e, no entanto, nos bancos de escola, escreviam que se fossem ricos davam aos pobres. Como dizia Sócrates (o filósofo) há 2.000 anos atrás:

"A nossa juventude adora o luxo, é mal educada, goza com a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando entra uma pessoa, respondem aos seus pais e são simplesmente maus. Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder, porque a nossa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível. O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os nossos filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não poderia estar mais longe. Esta juventude está estragada até o fundo do coração.

O pensamento continua actual (menos a ideia do fim do mundo, que acaba para quem a vida se esvai) e o curioso, é que os filhos que faziam a vida "negra" aos seus pais, irão, mais tarde, dizer dos seus filhos o mesmo que os seus pais diziam deles: «Esta juventude está insuportável». Esquecer o passado é fácil não é?

Ninguém dá nada a ninguém, excepto algumas pessoas que nasceram com esse dom de darem sem nada pedirem em troca. Mas é uma minoria que não consegue dar volta ao que volta não tem.

Por isso hoje apetece-me ouvir os sons que vêm de um ambiente que lembram um período lindo da história do mundo, a Grécia Antiga.

Com o Partenon (templo da dedicado à deusa grega Atenas) como pano de fundo, fechemos os olhos e ouçamos a música que nos enleva a alma.

Deixemos os pensamentos voarem pelas estrelas, pelo cosmos, pelo infinito e, por momentos, esqueçamos a nossa mesquinha boa vontade de todos os anos pois, amanhã, aquele filho da mãe vai pagar tudo o que de mal me tem feito, ai se vai!!!

O meu agradecimento à amiga Nicha pelo envio deste magnífico vídeo

18.12.09

Boas Festas!


Para os amigos e visitantes deste e dos outros meus blogues,
Boas Festas e Feliz Ano 2010!

12.10.09

Andorinha Preta



Uma das músicas por mim trauteadas desde miúdo era: «Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola»... Sabia que era cantada por Nat King Cole e por um conjunto brasileiro mas não sabia qual.

Um dia destes veio-me de novo à lembrança esta música e de novo lá estava eu com a andorinha que me fugiu da gaiola. Então não descansei enquanto não conseguisse essa música e qual o conjunto brasileiro que o acompanhava.

Pois bem, quem porfia sempre alcança e lá consegui tanto a música como a letra e o que o conjunto era um Trio, o Trio Irakitan.

Nat tudo fez para cantar a «Andorinha Preta» em português com a pronúncia correcta mas como não o conseguiu, o Trio cantava a andorinha em português e o Nat em versão inglesa.

Nat King Cole fumava três maços de cigarro por dia. Pensava ele que era o cigarro que lhe dava aquela voz aveludada. Morre aos 46 anos com cancro, mas enquanto houver andorinhas haverá a voz imortal de Nat cantando:

Fly my Brazilian love bird
Fly to the one I love
Please won't you tell her that I'm the one who cares
Please bring to me her answer


Agora eu:

Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola
Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola...


8.9.09

Vida depois da morte




«Quando nem mesmo a vida se compreende, como poderia entender-se a morte?»

Confúcio


No Velho Testamento há duas referências que se referem inequivocamente à vida depois da morte:

«Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão. Despertai e exultai, os que habitais no pó [...] e a terra lançará de si os mortos.» (Isaías; 26, 19.)

«E muitos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eternos.» (Daniel; 12, 2.)


Os relatos dos que estiveram na antemorte, referem o encontro com uma luz muito brilhante. Sem forma física, simplesmente uma luz muito brilhante. Os cristãos, por crença, identificaram a luz com Cristo «Eu sou a Luz do mundo».
Um homem e uma mulher judia identificaram a luz como um «anjo».
Um homem que não tinha qualquer crença ou educação religiosa referiu simplesmente como um «ser de luz».


Se a morte é apenas um sono sem sonhos, deve ser igualmente maravilhoso. Se dissermos a alguém que pense numa noite em que tenha dormido tão profundamente que não tenha tido sequer um sonho, que a compare com todas as outras noites da sua existência e que, depois de ter reflectido, diga quantos dias e noites passou melhor que aquela noite, acho que... (qualquer pessoa) contaria facilmente esses dias. Se a morte é assim, chama-lhe um bem, já que, se a encararmos como acabei de expor e devido à unidade do tempo, só poderemos considerá-la como uma única noite. (Platão – A Apologia)

Podemos considerar este pensamento como uma analogia eufemística ou seja compara a morte e o sono. Morrer é como adormecer.

Estamos perante duas respostas diferentes perante a natureza da morte. Uns dizem que a morte é a passagem da alma – mente, psique, eu, ser, consciência, espírito – para outra dimensão do real; outros defendem que a morte é a aniquilação da consciência.

Todos os que passaram por esta experiência, nunca se referiram ao Céu ou ao Inferno. Mencionaram o ser de luz, onde a entidade referenciada está de acordo com a formação religiosa de cada um.


Seis tipos de religião, seus profetas ou mentores e os seus livros sagrados:

Judaísmo ------- Abraão ---------- Tora
Cristianismo --- Jesus Cristo --- Bíblia
Islamismo ------- Maomé ---------- Alcorão
Budismo--------- Buda ------------- Cânones de Pali e de Sanskrit
Tauismo---------- Lao-Tse -------- Livro de Lei E Universo e sua Virtude
Lamaísmo ------ Dalai-Lama ----- Sadhana (não é um livro, é meditação)

Obra Consultada: Vida Depois da Vida - Raymond A. Moody JR.