A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

27.4.18

O Baeta

Não se sabe como surgiu a expressão «ir ao Baeta». Pelo que sei, é tipicamente portuguesa e mais usada em Lisboa que noutra zona do país.

Então hoje fui ao "Baeta". Não que tivesse uma guedelha que me tapasse os olhos, pois hoje devido à minha "abundância" capilar, tal seria impossível, mas sim porque a primavera está em força e os cabelos sobre as orelhas incomodam e por mais que se penteie, vem uma rabanada de vento e o mesmo fica tipo guarda-lamas.

O meu antigo barbeiro, (Batista mesmo de nome), depois de uma longa vida dedicada ao corte, a idade (86 anos) não lhe permitiu continuar e reformou-se.

No seguimento do anterior, tendo predileção pelo barbeiro à antiga, encontrei um mesmo à medida. Um local onde se fala de tudo e de nada (o silêncio de vez em quando impera), onde são todos conhecidos na vizinhança e as notícias são como Eça de Queirós, meu conterrâneo, as descrevia. Os jornais sempre presentes informam "Morreram milhares na China devido a cheias». É muito longe não se faz alarido. Entra alguém a dizer que a Tia Mariquinhas torceu o pé e sai tudo da barbearia em alvoroço para saber o estado do pé da tiazinha.

Ali, ouvem-se histórias que nos colocam a par desta e daquela pessoa, do piscar de olho à vizinha, ou que o Benfica ainda ganha o penta (que os santos os oiçam)

O mês passado disse ao barbeiro que iria levar a máquina fotográfica para tirar uma foto às cadeiras onde sentámos.

Cadeiras à antiga, pena não estarem pintadas com as cores de origem, aquele vermelho/acastanhado ou cinzento já desgastado pelo tempo, pois aquele verde não tem nada a ver com as que nos acompanham desde os tempos imemoriais, quando em pequeno, na minha terra Póvoa de Varzim, o "baeta" lá no Mercado Municipal, colocava uma tábua para eu puto me sentar e cortar a melena.

Outros tempos mas a tradição ainda é o que é em alguns lugares, os meus filhos também chegaram a sentar em tábuas assim.

Agora é tudo nas grandes superfícies, mas não há nada como estas cadeiras numa barbearia lá do bairro.

6.12.17

Morreu o "canastrão"

Era assim que o designávamos nos tempos idos. Não era lá grande coisa como cantor, mexia-se à Elvis sem o ser, um ator sofrível e teve uma sorte danada, casou-se com uma das nossas "ídolos" da época, a Sylvie Vartan

"Si je chante, c'est pour toi,
C'est pour toi
Oui pour toi
Je t'en prie, ne pleure pas
Et vas sécher tes larmes"

(Na época, nos anos 50/60, a língua francesa era a preferida de todos nós.)

Morreu o "canastrão", mas mesmo sendo "canastrão" ficou um pouco dele em nós e morre mais uma referência desse tempo louco da nossa juventude.

Fica em Paz Johnny Hallyday.

Vou dançar em tua memória, a música que na altura mais nos marcou:

"Viens danser le twist"

13.11.17

Mudança de hora

Sou contra a alteração semestral da Hora. Para as crianças e mesmo para nós adultos, é melhor sair de noite e ver o dia nascer, ou sair de dia e ver a noite descer?

Se é para poupar energia é parvoíce, pois se saímos de noite, logo apanhamos a claridade do dia e apagamos a luz. Se saímos de dia apanhamos o cair da noite e acendemos a luz até o deitar.

A razão da mudança da hora que foi adotada pela primeira vez a 30 de abril de 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, passava por tentar minimizar o uso de iluminação artificial, e assim contribuir para economizar combustível para o esforço de guerra.

Ora aí está da GUERRA em 1916 em que o combustível era à base do carvão e afins.

Nestes anos Portugal não aderiu à mudança de horário; 1922, 1923, 1925, 1930 e 1933.

Em 1992, o Governo, então chefiado por Cavaco Silva, adotou o horário da Europa central (deu mais duas horas de verão. Eram 9 da "noite" e eu de banhos na praia da Quarteira), mas a opção foi muito criticada, porque, no inverno, o sol nascia muito tarde e, no verão, era de dia até depois das 22 horas.

101 anos depois, continuamos "prisioneiros" de uma guerra caquética.