Há sempre luz onde dantes foi um quarto. Dele, só restam as paredes e pequenos fragmentos de tijoleira.
As ervas e as raízes das árvores apoderaram-se do que um dia tinha servido de habitação.
Os risos das crianças (se é que as houve), ainda devem perdurar enquanto há luz.
À noite, o silêncio é cortado pelo piar de algum pássaro madrugador. As paredes servem de refúgio às lagartixas, as mariposas pousam, as cobras deambulam.
Há sempre luz neste quarto, nem que seja a luz da lua. Agora, não passa de um amontoado de ruínas.
texto e foto: Mário Lima
30.1.20
20.1.20
Tesourinhos...
Em 1969 surge no Brasil, na revista 'Contigo', uma coleção com os artistas na 'berra' na época. Eram os tempos da 'Jovem Guarda' que tanto furor fez no Brasil e como nós em África tínhamos muito em comum com as vivências artísticas desse lado do Atlântico, era constante e com muito sucesso, a vinda desses cantores brasileiros que atuavam tanto em Luanda, como Nova Lisboa, Lobito...
Da coleção que esta revista trazia, ainda tenho quatro desses artistas; 'Roberto Carlos', 'Vanusa', 'Antônio Marcos' e 'Os Mutantes'.
Em papel quadriculado, ali eram colocadas as fotos e assim eram vendidos com a revista.
Aqui fica o Rei... Roberto Carlos.
Da coleção que esta revista trazia, ainda tenho quatro desses artistas; 'Roberto Carlos', 'Vanusa', 'Antônio Marcos' e 'Os Mutantes'.
Em papel quadriculado, ali eram colocadas as fotos e assim eram vendidos com a revista.
Aqui fica o Rei... Roberto Carlos.
14.10.19
'O Caçador'
'O Caçador' de Lars Kepler
Livro traduzido em português, tradutora Regina Valente.
O livro foi-me oferecido. Aproveitei as férias para o ir lendo. O título sugestivo 'O Caçador' de Lars Kepler (não tem nada a ver com o filme The Deer Hunter com a banda sonora extraordinária dos The Shadows (Cavatina)), fazia prever um bom livro..
Um livro traduzido terá que ser traduzido do princípio ao fim, pois se não dominarmos a língua inglesa, é um problema quando há passagens nessa língua. É o que acontece neste livro. A certa altura e tem a ver com a razão dos assassinatos que acontece no desenrolar da história, aparece esta cantiga que diz o autor, é infantil:
Ten little rabbits, all dressed in white,
tried to go to heaven on the end of kite.
Kite string got broken, down they all fell,
instead of going to heaven, they went to...
Sem tradução, sem nada. Tendo eu optado pela língua francesa na Industrial, do inglês só 'I don't smoke' o que convenhamos é muito pouco.
Por isso tive que escrever tudo isto para saber no tradutor, que cantilena era esta, o que me deu um trabalhão...
Senhores da Porto Editora, se eu soubesse inglês, comprava o livro original e não o livro 'traduzido'.
Por isso este livro leva a minha chancela de...
Ah, e já agora a tradução (não confio muito nela)
Dez coelhinhos, todos vestidos de branco,
tentou ir para o céu no fim da pipa.
A pipa quebrou, todos caíram,
em vez de ir para o céu, eles foram para ...
Bem, ainda vou no terceiro assassinato, se são dez os coelhos ainda faltam sete, como não foram para o céu, foram para o inferno.
Livro traduzido em português, tradutora Regina Valente.
O livro foi-me oferecido. Aproveitei as férias para o ir lendo. O título sugestivo 'O Caçador' de Lars Kepler (não tem nada a ver com o filme The Deer Hunter com a banda sonora extraordinária dos The Shadows (Cavatina)), fazia prever um bom livro..
Um livro traduzido terá que ser traduzido do princípio ao fim, pois se não dominarmos a língua inglesa, é um problema quando há passagens nessa língua. É o que acontece neste livro. A certa altura e tem a ver com a razão dos assassinatos que acontece no desenrolar da história, aparece esta cantiga que diz o autor, é infantil:
Ten little rabbits, all dressed in white,
tried to go to heaven on the end of kite.
Kite string got broken, down they all fell,
instead of going to heaven, they went to...
Sem tradução, sem nada. Tendo eu optado pela língua francesa na Industrial, do inglês só 'I don't smoke' o que convenhamos é muito pouco.
Por isso tive que escrever tudo isto para saber no tradutor, que cantilena era esta, o que me deu um trabalhão...
Senhores da Porto Editora, se eu soubesse inglês, comprava o livro original e não o livro 'traduzido'.
Por isso este livro leva a minha chancela de...
Ah, e já agora a tradução (não confio muito nela)
Dez coelhinhos, todos vestidos de branco,
tentou ir para o céu no fim da pipa.
A pipa quebrou, todos caíram,
em vez de ir para o céu, eles foram para ...
Bem, ainda vou no terceiro assassinato, se são dez os coelhos ainda faltam sete, como não foram para o céu, foram para o inferno.
12.9.19
Há mar e mar...
Caminhando junto ao mar, ouvem-se gritos aflitivos de uma mulher. Sentada na areia, contorcia-se com dores. Outra mulher segurava-a enquanto iam chamar o nadador salvador a fim de prestar a assistência devida.
Uma multidão logo se juntou cada um formulando a sua opinião tipo sapateiro na Praça de Veneza. Naquela altura qualquer 'sapateiro' dava palpites mas, a mulher contorcendo-se com dores, nem os ouvia. A dor era num pé.
Chegaram os rapazes e logo ouviram insultos, que tinham demorado muito tempo e que não deviam perceber nada daquilo. Com calma e sem ligarem às provocações, verificaram que a senhora tinha sido picada por um peixe-aranha. Os nadadores salvadores têm um kit para estas situações.
Sentaram a senhora numa cadeira e trataram-na. Os 'sapateiros' envolventes baixaram a cerviz e retiraram-se assobiando para o lado, como o que tinham dito aos rapazes tinha sido por outros e não por eles.
Mar encapelado. Ondas de mais de metro e meio. Uma senhora com um peso considerável, olhava para aquelas ondas como as desafiando. Tanto olhou, que nem reparou numa onda enorme que vinha a praia beijar.
Vira-se e esta apanha-a em cheio pelas costas. A 'bola' rebola e, devido ao peso, não consegue levantar-se... e o mar puxa-a para o seu interior. Sorte dela que, a pouca distância, duas jovens apercebendo-se da situação, a seguraram a tempo (mas eu já lá ia em socorro).
Bola de Berlim grita o vendedor. E hoje comi a primeira bola de Berlim desde que aqui estou
Há mar e mar, há ir, respeitar e aproveitar.
São servidos?
Uma multidão logo se juntou cada um formulando a sua opinião tipo sapateiro na Praça de Veneza. Naquela altura qualquer 'sapateiro' dava palpites mas, a mulher contorcendo-se com dores, nem os ouvia. A dor era num pé.
Chegaram os rapazes e logo ouviram insultos, que tinham demorado muito tempo e que não deviam perceber nada daquilo. Com calma e sem ligarem às provocações, verificaram que a senhora tinha sido picada por um peixe-aranha. Os nadadores salvadores têm um kit para estas situações.
Sentaram a senhora numa cadeira e trataram-na. Os 'sapateiros' envolventes baixaram a cerviz e retiraram-se assobiando para o lado, como o que tinham dito aos rapazes tinha sido por outros e não por eles.
Mar encapelado. Ondas de mais de metro e meio. Uma senhora com um peso considerável, olhava para aquelas ondas como as desafiando. Tanto olhou, que nem reparou numa onda enorme que vinha a praia beijar.
Vira-se e esta apanha-a em cheio pelas costas. A 'bola' rebola e, devido ao peso, não consegue levantar-se... e o mar puxa-a para o seu interior. Sorte dela que, a pouca distância, duas jovens apercebendo-se da situação, a seguraram a tempo (mas eu já lá ia em socorro).
Bola de Berlim grita o vendedor. E hoje comi a primeira bola de Berlim desde que aqui estou
Há mar e mar, há ir, respeitar e aproveitar.
São servidos?
11.9.19
Metropolitano - Lisboa
O metro pára e nele entra um jovem com um livro debaixo do braço. Olho por olhar para o grosso livro. A contracapa está virada para mim. Hum! Parece-me conhecer aqueles tons de cor, os sapatos de mulher e pouco mais via.
Dirijo-me ao jovem e pergunto-lhe se o livro que estava a ler não seria 'O Caçador' de Kepler.
O rapaz anuiu e ali fluiu-se a conversa sobre o teor do livro. Sentada, uma moça seguia as nossas considerações sobre o enredo do livro que tanto ele como eu, ainda não tínhamos saído dos primeiros capítulos. De repente disse que também já o tinha lido. E naquele momento, num metro de Lisboa, três pessoas sem se conhecerem de nenhum lado, falavam entusiasmados sobre as peripécias que uma Sofia tinha tido num encontro sexual com um ministro dos Negócios Estrangeiros...
Comecei a ler o livro em junho, intervalei e estou a tentar acabar neste período de tempo, enquanto a garotada voltou à água azul, mas o vento, embora mais suave, não convida a um mergulho.
- Não existem respostas simples, Valeria
- Percebo, mas sinto necessidade de dar um passo atrás - diz ela. - Porque tenho uma vida que funciona, os miúdos, o horto... E não gostaria de te parecer banal, mas sou adulta e em boa verdade as coisas estão muito bem assim como estão, mesmo sem um amor empolgante.
(...)
Desculpa Joona - continua Valeria, com um suspiro trémulo - Eu tinha acreditado, mas na realidade as coisas entre nós nunca iriam funcionar.
Fim de citação
No meio de tiros, mortes, de uma velha que indiferente a tudo isso tricotava, esta parte chamou-me a atenção. Quantos desejos, quantos amores são deixados para plano secundário quando o que conta é o conforto e a estabilidade que se tem, mesmo sem o tal amor empolgante que lhe encheria a alma, na existência fugaz que temos nesta vida.
Dirijo-me ao jovem e pergunto-lhe se o livro que estava a ler não seria 'O Caçador' de Kepler.
O rapaz anuiu e ali fluiu-se a conversa sobre o teor do livro. Sentada, uma moça seguia as nossas considerações sobre o enredo do livro que tanto ele como eu, ainda não tínhamos saído dos primeiros capítulos. De repente disse que também já o tinha lido. E naquele momento, num metro de Lisboa, três pessoas sem se conhecerem de nenhum lado, falavam entusiasmados sobre as peripécias que uma Sofia tinha tido num encontro sexual com um ministro dos Negócios Estrangeiros...
Comecei a ler o livro em junho, intervalei e estou a tentar acabar neste período de tempo, enquanto a garotada voltou à água azul, mas o vento, embora mais suave, não convida a um mergulho.
- Não existem respostas simples, Valeria
- Percebo, mas sinto necessidade de dar um passo atrás - diz ela. - Porque tenho uma vida que funciona, os miúdos, o horto... E não gostaria de te parecer banal, mas sou adulta e em boa verdade as coisas estão muito bem assim como estão, mesmo sem um amor empolgante.
(...)
Desculpa Joona - continua Valeria, com um suspiro trémulo - Eu tinha acreditado, mas na realidade as coisas entre nós nunca iriam funcionar.
Fim de citação
No meio de tiros, mortes, de uma velha que indiferente a tudo isso tricotava, esta parte chamou-me a atenção. Quantos desejos, quantos amores são deixados para plano secundário quando o que conta é o conforto e a estabilidade que se tem, mesmo sem o tal amor empolgante que lhe encheria a alma, na existência fugaz que temos nesta vida.
10.9.19
Ó Mortais...
Ó mortais
Porque abandonais
Este azul de águas mansas
Que cintilam em mil reflexos?
Estou só, sem ninguém
A molhar seu corpo
Sem gritos de crianças
Sem o namoro dos adultos
À minha volta nada tenho,
Senão a presença
de peludas pernas
E não lisas, macias
De corpos de mulheres.
Estou só e não sei a razão...
Psiuu água que choras,
está frio cum catano!
Se não sentes este vento,
é porque estás saudoso
Dos dias que te alegraram,
Que no teu manto chapinharam.
E das noites festivas.
É assim a vida.
Tanto nos traz alegrias
Como de repente tudo se acaba.
E, como o vento não pára
Ficarás mais só.
Amanhã é outro dia!
Porque abandonais
Este azul de águas mansas
Que cintilam em mil reflexos?
Estou só, sem ninguém
A molhar seu corpo
Sem gritos de crianças
Sem o namoro dos adultos
À minha volta nada tenho,
Senão a presença
de peludas pernas
E não lisas, macias
De corpos de mulheres.
Estou só e não sei a razão...
Psiuu água que choras,
está frio cum catano!
Se não sentes este vento,
é porque estás saudoso
Dos dias que te alegraram,
Que no teu manto chapinharam.
E das noites festivas.
É assim a vida.
Tanto nos traz alegrias
Como de repente tudo se acaba.
E, como o vento não pára
Ficarás mais só.
Amanhã é outro dia!
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