A internet é uma boa forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida

30.5.05

Criança...

Deixa-me dar-te não um brinquedo mas sim uma lembrança.
Deixa-me dar-te algo que vive dentro de nós, o ser-se criança!...
Deixa-me desejar-te um mundo melhor, as águas claras de um atol
Deixa-me desejar-te um céu azul onde brilhe sempre... o Sol.


Aquarela,(clica aquí)





Botão
Semente de Vida
Humanidade
Que não acaba
Porque todos os dias
Nasce uma criança.
Foste um nada
Foste semente
És Flor
Terás Fruto
Serás Mulher!


jun86

28.5.05

A Menstruação e a Bíblia





  Levítico 15:19-24 – Quando uma mulher menstruar, estará num estado de impureza durante sete dias. Quem quer que a toque ficará imundo até ao anoitecer. Tudo sobre o qual ela se deitar ou sentar durante o período de impureza será imundo. Todo aquele que tocar a cama dela deve lavar as próprias roupas, banhar-se em água e estará imundo até o anoitecer. Mas se ela estiver no leito ou num assento, quando os tocar eles estarão imundos até ao anoitecer. [Este trecho parece truncado, tanto no original hebraico, quanto no texto grego.] Se um homem ousar deitar-se com ela, ele contrairá a impureza dela e estará imundo durante sete dias; toda cama em que ele se deitar nesse período também se tornará imunda.

Algumas dessas prescrições são repetidas em Levítico 12:2-5 e 18:19.

Levítico 20:18, contradiz os trechos citados ao determinar pena ainda mais severa para o coito durante a menstruação:

Se o homem deita em relações sexuais com uma mulher durante o período menstrual dela, ambos serão excluídos de seu povo, porque deixaram descoberta a fonte do sangue fluente dela.

  Alguns rabinos interpretaram essa passagem como sanção da pena da morte, não apenas exílio. Em algumas escrituras judaicas, de facto, coito com mulher menstruada é dado como passível de pena capital...

As mulheres, desde a antiguidade, são tratadas como seres "inferiores", daí não se estranhar que, nos tempos de hoje, ainda hajam religiões que as apedrejem até à morte por outros motivos.






28-05-2005

24.5.05

O Amor





  O amor traz à tona os nossos sentimentos não resolvidos. Num dia sentimo-nos amados e, no dia seguinte, estamos, repentinamente com medo de confiar no amor. As memórias dolorosas de rejeições passadas começam a vir à superfície quando temos de confiar e aceitar o amor do nosso parceiro.

  Sempre que nos amamos mais ou somos amados por outras pessoas, os sentimentos reprimidos tendem a vir à tona e, temporariamente, ensombrar a nossa consciência amorosa. Vêm à tona para serem cicatrizados e libertados. Podemos, repentinamente, ficar irritadiços, defensivos, críticos, ressentidos, exigentes, insensíveis e nervosos.

  Sentimentos que não conseguíamos expressar no passado, de repente inundam a nossa consciência quando sentimos segurança para os sentir. O amor descongela os sentimentos reprimidos, e gradualmente esses sentimentos não resolvidos começam a vir à superfície durante um relacionamento.

  É como se os seus sentimentos não resolvidos esperassem que se sentisse amado e então viesse à tona para serem cicatrizados. Todos nós andamos por aí com uma carga de sentimentos não resolvidos, feridas do nosso passado que repousam, adormecidas dentro de nós, até chegar o momento em que nos sentimos amados. Então quando nos sentimos seguros para sermos nós mesmos, antigas mágoas vêm à tona.

  Se soubermos lidar com estes sentimentos com sucesso, podemo-nos sentir muito melhor e reavivar o nosso potencial amoroso. Se, no entanto, discutimos e culpamos o nosso parceiro em vez de nos curarmos do nosso passado, restará apenas o aborrecimento e a tendência será reprimir, novamente, os sentimentos.


In «Os Homens são de Marte, as Mulheres de Vénus» de John Gray





19.5.05

Mário de Sá-Carneiro - a Homenagem



 Falar de Mário Sá-Carneiro é uma forma de dar a conhecer não só um notável poeta, como a inadaptação a um mundo que não é o dele e, a constante busca do próprio eu, aquilo que nós afinal, em várias fases da nossa vida procuramos interiorizar, numa procura constante do que somos, quem somos e o que fazemos aqui.

Falar do meu homónimo é, afinal, falar de nós, dos nossos fantasmas, dos nossos medos.

Falemos então.




 "... O Sá Carneiro não teve biografia: teve só génio. O que disse foi o que viveu.

Fernando Pessoa

 Mário de Sá Carneiro (1890 - 1916)

 Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa no dia 19 de maio de 1890 (faz hoje precisamente 115 anos). Os primeiros anos de sua vida são marcados pela dor causada pela morte da mãe, em 1892, quando ele tinha apenas dois anos.

 Em 1911 matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra e prossegue os seus estudos em Paris. Corresponde com Fernando Pessoa onde já reflecte os seus problemas emocionais e as ideias de suicídio.

 Em 1914 publica as obras “Dispersão” e “A confissão de Lúcio”, intensificando a sua correspondência com Pessoa a quem envia seus poemas e projectos, continuando a mostrar sinais de pessimismo e desespero.

 Em 1915 participa do lançamento da revista “Orpheu”, provocando polémicas no meio literário quando no segundo número publica, juntamente com o poema “Ode triunfal” de Álvaro de Campos (heterónimo de Pessoa), o poema futurista “Manucure”.

 Regressa nesse ano a Paris onde tem grandes crises de depressão, agravadas pelas suas dificuldades financeiras.

 Em 1916 envia uma carta a Fernando Pessoa, anunciando a sua intenção de suicídio que ocorre no dia 26 de Abril, num quarto do Hotel Nice em Paris.

 Foi a impossibilidade de equilíbrio que o levou ao suicídio. Como homem, não se realizou, nem na vida nem na morte. No fracasso do homem, o artista deitou raízes e floresceu em Beleza. O poeta amou e cantou a sua Alma. - "Um pouco mais de sol - e fora brasa, / Um pouco mais de azul - e fora além." -.

QUASE

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
............................................................
............................................................

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Paris, 13-5-1913

Mário Sá-Carneiro - A Confissão de Lúcio

 Sento-me. Enquanto vou dando voltas à colher e beber o meu café, olho para a figura que está à minha frente. Um jovem quase velho, escreve com sofreguidão mais uma carta. Não me vê. Sou um fantasma, um fantasma de mim, um fantasma dele, um fantasma de todos. Estamos num mundo que não é o nosso não é Mário? Deixa-me ver a quem escreves, ah!... é a Ponce de Leão teu amigo dos tempos de escola. Permites-me que a leia? Obrigado!



Lisboa - Setembro de 1913
Dia 26


Meu querido amigo,

Não te zangues. isto é sem cerimónia. Perdoa...
Bem sei que tens concurso – e casamento (os bustos não esquecem: 1 aproxima-se).

Mas ouve:

Se amanhã à noite sábado quiseres e puderes gostava que viesses a minha casa às 8 1/2 9 horas. Gramarias (sozinho com o F. Pessoa) a célebre «Confissão de Lúcio» em cuja primeira página o teu nome se imprime.

Era-me muito agradável que viesses pois é lamentável que tendo eu escrito esse conto para ti, não sejas tu o primeiro a ouvi-lo. Mas nota bem: eu compreendo optimamente os teus afazeres e portanto não me zango nada se não puderes vir [no texto: «vires»]. Mas faz um esforço, sim? Sacrifica-me duas horas. Agradecer-tas-ei como uma vida inteira!...

Adeus, perdoa-me!

Um grande abraço do

Sá-Carneiro

P. S. – Não venhas se não puderes de todo. E não me zango!

Mário de Sá-Carneiro, A Confissão de Lúcio:

"- Ah! meu querido Lúcio - tornou ainda o poeta -, como eu sinto a vitória de uma mulher admirável, estiraçada sobre um leito de rendas, olhando a sua carne toda nua... esplêndida... loura de álcool! A carne feminina - que apoteose! Se eu fosse mulher, nunca me deixaria possuir pela carne dos homens - tristonha, seca, amarela: sem brilho e sem luz... Sim! num entusiasmo espasmódico, sou todo admiração, todo ternura, pelas grandes debochadas que só emaranham os corpos de mármore com outros iguais aos seus - femininos também; arruivados, sumptuosos... E lembra-me então um desejo perdido de ser mulher - ao menos, para isto: para que, num encantamento, pudesse olhar as minhas pernas nuas, muito brancas, a escoarem-se, frias, sob um lençol de linho...
(...)
...uma noite, sem me dizer coisa alguma, ela pegou nos meus dedos e com eles acariciou as pontas dos seios - a acerá-las, para que enfolassem agrestemente o tecido ruivo do quimono de seda.
E cada noite era uma nova voluptuosidade silenciosa.
Assim, ora nos beijávamos os dentes, ora ela me estendias os pés descalços para que lhos roesse - me soltava os cabelos; me dava a trincar o seu sexo maquilhado, o seu ventre obsceno de tatuagens roxas...
E só depois de tantos requintes de brasa, de tantos êxtases perdidos - sem força para prolongarmos mais as nossas perversões - nos possuíamos realmente."

Mário Sá-Carneiro - O Outro

 Mário sinto esse teu desejo de escapulires da vida. Que batalha travas dentro de ti. Essa ponte de tédio que te separa do outro está a desmoronar-se. Olhas e nada mais vez que um fim que te liberte das amarras do teu íntimo. Ser ele ou ser ela, ó que dor! Sentir a seda a escapulir pelo corpo ó que delírio! Mário porque não mais lutaste e deixaste o grifo alado tomar-te nos braços e desaparecer... para sempre?!... Para sempre não Mário pois agora, é que te compreendemos!...

... e a tua sombra Mário?!... seria o outro ou, simplesmente... tu!


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O Outro na voz de Adriana Calcanhoto

7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Lisboa, Fevereiro de 1914.

Mário e Pessoa

 Os dois poetas encontram-se, Mário e Pessoa. Fito-os em silêncio. Sentados, cada um procura no outro o porquê de tanta luta interior. Estão “sós” embora milhares de transeuntes passem por perto. Nada lhes escapa, tudo lhes foge. A vida, o sentimento, a amargura de estarem fora de tempo, dum tempo que não é o deles. Ambos, “dormem” no silêncio dos seus pensamentos como fugindo da vida onde a morte... é o sono eterno!



S.C. - Fios de oiro puxam por mim
F.P. - Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
S.C. - A soerguer-me na poeira
F.P. - Que coisas eu sonhei
S.C. - Cada um para o seu fim,
F.P. - Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
S.C. - Cada um para o seu norte...
F.P. - Para um espaço aberto
S.C. - Ai que saudades da morte...
F.P. - Que não conheço, pois que despertei
S.C. - Quero dormir..., ancorar...
F.P. - Para o quê ainda não sei.
S.C. - Arranquem-me esta grandeza!
F.P. - Melhor é nem sonhar nem não sonhar
S.C. - P'ra que me sonha a beleza,
F.P. - E nunca despertar.
S.C. - Se a não posso transmigrar?...


(dois poemas entrecruzados de Mário e Pessoa)

Mário Sá-Carneiro - FIM



 Por Paris passaste numa agonia constante de um império agonizante. Deuses ínfimos, heróis de pés-de-barro por ti criados na tua imaginação de criança que nunca te largou... E, nos escombros da tua existência, nem uma réstia de um sorriso pois foste sempre... taciturno!




Gostava tanto de mexer na vida,
De ser quem sou – mas de poder tocar-lhe...


FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Paris, 1916

10.5.05

Os Clones - Peça de Teatro em Quatro Actos



 A sala estava apinhada de gente com duas pessoas; o B e o K.

 Ouvem-se as pancadinhas de Moliére... pum... pum... pum... pumpumpumpum!...

 No fosso, os primeiros acordes de «Requiem para um amigo», versão orquestral da canção de Elton John, «Funeral for a friend».

 A cortina abre-se lentamente. No palco estão, somente, quatro espelhos. No 1.º encontrava-se reflectida a imagem da «coqui». No segundo, a do «Darq»; no 3.º, «Angol» e no 4.º «Marius70».

- 1.º Acto –

  Marius70 entra no palco e dirige-se para 1.º espelho.

- Bom dia meu clone «coqui», então por aqui? Com que então és meu clone e nada me dizias. Lembras-te quando íamos ao Estádio da Luz ver aquelas noites europeias... o quê não te lembras?... o inferno da Luz, as noites mal dormidas e aquela paixão presente sempre que o Benfica ultrapassava mais um obstáculo. Também não te lembras?... mas afinal que clube é o teu? És do Sporting?! Onde moras?!... perto do Porto? Ora, eu moro perto de Lisboa. Tu és do Leão e eu sou da Águia, estás no Norte e eu estou no Centro/Sul. És mulher, eu sou homem, afinal, tu, não és meu clone!

  Fecham-se por momento as cortinas. Quando reabrem só lá estão três espelhos. A orquestra continua a tocar o «Requiem...».

- 2.º Acto. –

  Marius vai em direcção ao 2.º espelho.

- Olá Darq, meu clone! Não é que pensava que a coqui era eu?!... afinal, não! Mas tu sim, não há engano possível. Já estás a dizer que não e ainda agora comecei?! Tu és Águia, logo és do Glorioso como eu. Lembras-te quando tivemos que saltar as vedações do Estádio da Luz, em 16 de Março de 1983, quando o Benfica defrontou o Roma? Aquilo é que foi uma jogatana. Tínhamos ganho lá por 1-0 e os Romanos vinham com ganas de dar a volta ao resultado. Grande jogo do Pietra. O quê?... não saltaste nenhuma vedação?! Vou-te avivar a memória Darq. Não te lembras daqueles jogos contra o Liverpool, que “cabazada” levamos, contra U. Craiova, ao Olympiakos demos três secos; golos de Filipovic, Diamantino e Maniche, contra o Sampdoria, contra..., o quê?...não te lembras? Afinal, tu, também não és meu clone!

  Fecham de novo as cortinas. Depois de abertas só lá estão dois espelhos.

- 3.º Acto. –

  Marius70, aborrecido, dirige-se ao 3.º espelho.

- Angol, é só decepções!... por duas vezes me enganei!... mas tu não me enganas! Lembras-te quando jogávamos à bola na Casa Branca, ali junto à antiga lixeira? Hoje é o Roque Santeiro. Aquilo é que eram jogos, mudávamos aos cinco e acabávamos aos dez. Quando íamos ao Estádio dos Coqueiros ver as equipas do “puto” jogar. Era o Benfica, era o Porto, o Sporting, a Académica, o Varzim e aquela comunidade portuguesa deslocava-se ao Estádio para ver de perto os seus ídolos. O Eusébio, o Peres do Sporting, o Hilário, o Coluna e tantos mais. Aquilo sim... aquilo é que eram jogadores! E o Asa, o Benfica e o Sporting de Luanda nada podiam fazer contra aqueles monstros. Eram de sete para cima. O quê?... não te lembras? (mudando para o tom de voz do Tibúrcio).

Tu não te lembra da tia Mariquinha que tinha engorido cinco angorare, e médico que faz peração na bariga tirou dois e quinhenta? E do tio Paurino qui andava esconfiado. Dizia que o filho não era dere. O moço tinha duas perna verdadeira e o tio Paurino tinha uma perna de pau. E lá no S. Paulo, branco és mesmo esperto, he,he,he, fez uma rua mesmo no meio dos dois passeio. O quê também não te lembra? Já estou ficar xateado, meu! Deixa então olhar bem para ti. Afinar tu és como a Macumbina, és murer... pá!... já não vou beber mais «Cuca» nem «Nocal». Tu também não és meu clone!


  Pela terceira vez, fecham-se as cortinas. Ao abrirem-se, só se encontra no palco um espelho.

- 4.º Acto. -

  Marius70 dirige-se, cabisbaixo, para o 4.º espelho. Ao chegar a ele olha para a imagem nela reflectida. Nada diz. Lentamente, endireita-se. Passa a mão pelos parcos cabelos e pelas cãs já da cor da prata. Olha uma vez mais para aquela imagem tão sua conhecida. Imagem que durante muitos e longos anos a vê, constantemente, reflectida nos espelhos. Sorri, enquanto uma lágrima lhe desliza pela face. Tinha encontrado finalmente o seu clone. O clone... que tanto tinha procurado estava ali, à sua frente. Afinal nunca tinha deixado de ser quem era. Marius70 era, simplesmente,... Marius70, e nada mais!

  Vira-se para a plateia muda e queda. Estavam todos a viver a alegria daquele homem que tinha procurado o seu clone e o tinha encontrado.
De repente, B levanta-se, e como não tinha percebido nada da história, aquilo era de mais para a sua camioneta, agita uma bandeira e berra palavras em tons de azul: «BIBA O PORTO, CARAGO!». Procura sair rapidamente para ir à net da Empresa onde trabalha, meter mais uns quantos temas por segundo. A seu lado, K medita na peça que lhe fora dada a ver. Tinha sido enganado. Afinal não havia clone nenhum, marius70 tinha falado verdade. Ele, um homem já com tantas primaveras em cima, acreditara num fedelho e perdera um amigo. Até lhe tinha chamado palhaço. Que tristeza lhe invadia a alma. Pela última vez os seus olhares se cruzam. As cortinas começam a fechar-se lentamente.

  No fosso, a orquestra toca as últimas notas do... «Requiem para um amigo».






04.02.2003

1.5.05

Mãe



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Mãe
Nasci
Um pranto
Uma dor
Um aconchegar
Ao teu peito
Sorver a vida
Sorver o Amor
Que senti
De Ti
Minha Mãe.
Nasci
Vivi.



9Ag.83